Queria eu, Senhora, ser capaz de um mel que te colasse cada vinco das pregas tristes. Porém, não posso. Não quero ou já nem sei. Bem vês – sendo certo que nem te posso cobrar por inteiro uma culpa, que talvez nem tu saibas bem de onde te veio, ainda que te pertença e seja tua – demoraste-te demasiado ao longe, demoraste para além da conta, Senhora dos Galopes Suados. E, nessa demora, fizeste-te igual a tudo o mais que insiste e ainda teima em ousar retardar-me aqui. E nessa demora, Senhora, não mais pode a minha mão se não pesar sobre ti também. Porque não são dois os pesos, nem podem ser duas as medidas do que impera e é justo que seja. Além do mais, Senhora, hoje não mais é minha a liberdade de me decidir pela solidão dos altivos. Á força de tanto ser junco à beira-rio, quebrou-se-me a haste e eu dei por mim debruçada como tudo o resto. Inclinada, como tudo o que vive e é mortal: vergada na direcção da água, tão simplesmente e só porque tem sede.
domingo
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