Aqui
Eu nunca disse que iria ser
A pessoa certa pra você
Mas sou eu quem te adora
Se fico um tempo sem te procurar
É pra saudade nos aproximar
E eu já não vejo a hora
Eu não consigo esconder
Certo ou errado, eu quero ter você
Ei, você sabe que eu não sei jogar
Não é meu dom representar
Não dá pra disfarçar
Eu tento aparentar frieza mas não dá
É como uma represa pronta pra jorrar
Querendo iluminar
A estrada, a casa, o quarto onde você está
Não dá pra ocultar
Algo preso quer sair do meu olhar
Atravessar montanhas e te alcançar
Tocar o seu olhar
Te fazer me enxergar e se enxergar em mim
Aqui
Agora que você parece não ligar
Que já não pensa e já não quer pensar
Dizendo que não sente nada
Estou lembrando menos de você
Falta pouco pra me convencer
Que sou a pessoa errada
Eu não consigo esconder
Certo ou errado, eu quero ter você
Ei, você sabe que eu não sei jogar
Não é meu dom representar
Não dá pra disfarçar
Eu tento aparentar frieza mas não dá
É como uma represa pronta pra jorrar
Querendo iluminar
A estrada, a casa, o quarto onde você está
Não dá pra ocultar
Algo preso quer sair do meu olhar
Atravessar montanhas e te alcançar
Tocar o seu olhar
Te fazer me enxergar e se enxergar em mim
Em mim... Aqui
Deixa-me chorar. Só chorar e pronto. sem muito mais, que mais não resta e já não há. Mesmo que seja pop. Mesmo que seja um hit canastrão, popularuncho, já meio gasto e por demais abusado. Só porque me toca um nervo menos ácido, mais na mouche, qualquer coisa ao centro do que tão bem eu sinto e sei. Só porque, mesmo sem ser nada de especial, me entra, toca e fere na nudez do desconcerto. Sem eu querer, sem merecer. Estupidamente. Quase ridícula. Embaraçosa. A canção de rima grossa e sem grande prumo afinado ao escopro. Mas é que 'aqui' era tão nosso!... Tão só nosso que às vezes ainda acho que ainda é e dou comigo aflita, nesta coisa vã, de achar que sempre será. E é por tanto achar, que me dói e solta o que quer que seja que choro agora. Assim. 'Aqui'. Num desconsolo amachucado de inconformado se conformar. Desfeito. Estilhaçado. Atordoado. Sempre. Mesmo ao final de todos estes incomensuráveis séculos volvidos e rasurados à história certa, à história errada, eu não sei. Já não sei. Acho, aliás, que pagaria para nunca chegar a saber. Entendes-me?! Consegues entender-me?!... Não, pois não? Eu sabia que sim. Portanto, deixa-me chorar. Só chorar e pronto. Que quando os olhos arderem demasiado, eu limpo a dor do pranto. Desligo a chave do motor, o rádio cala-se, eu saio enfim do carro e entro enfim em casa. Como se não fosse nada. Como se nada tenha sido. E sigo a vida que restou por diante. Como é preciso e bom que seja. Para não morrer antes da hora. Nem sem ti, para ao menos me chorar.


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