Diz-me: não tens medo que o tempo possa um dia rir na tua cara a evidência óbvia de ser maior e mais forte do que tu? É que eu tenho e não o subestimo. Por isso lhe dou brado todos os dias. Para que não me prove o que todos nascem a saber sem que ao menos lhe dê luta. Para, pelo menos, o obrigar a sentar-se cansado e arquejante, não sei se em reverência, se em esgar de puro alívio, no dia em que me fôr. Para, pelo menos, o obrigar à pausa que me há-de ficar por única homilía. Essa pausa, esse hiato, esse intervalo. Esse fulgás e suspenso ponto em que abranda e se senta, a recuperar o fôlego que lhe gastei. Até ver chegado, enfim, o derradeiro instante de me vergar e vencer. Como sempre esteve escrito que haveria de ser.
terça-feira
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